segunda-feira, 28 de junho de 2010

Os Primeiros Povoadores de Potim

A história do município de Potim está intimamente ligada à história de Guaratinguetá, a qual pertenceu durante os últimos 200 anos e por este motivo, torna-se difícil levantar os dados necessários para uma história completa da cidade. Em documentos esparsos em diversos arquivos da região e de São Paulo e, em informações esparsas dentro dos documentos, encontramos alguns informes sobre o povoamento de Potim no período setecentista. Uma das principais fontes neste sentido são os inventários antigos de Guaratinguetá, onde aparecem referências sobre a localização das terras, sua extensão e valor.
Segundo a Profª Conceição Borges Ribeiro, em artigo publicado num jornal de Guaratinguetá, o povoamento inicial do município é essencialmente indígena. Acredita-se que os primeiros moradores, como em todo o Vale do Paraíba, foram os índios Puris. Nenhuma pesquisa arqueológica foi realizada ou mesmo nenhum sítio arqueológico com vestígios materiais foi encontrado, para que se pudesse dizer com certeza qual a nação indígena e qual era a sua localização exata. No Potim, segundo a tradição, eles estavam estabelecidos próximo às margens do Rio Paraíba e do Ribeirão dos Mateus, onde hoje se encontra o Lar Monsenhor Filippo.
No que diz respeito ao povoamento do elemento branco e negro, existem referências muito antes da data oficial considerada, no longínquo ano de 1772, ano da ereção da primeira capela. Essas mesmas dão uma vaga idéia da distribuição populacional na região, que na verdade era bem esparsa, com imensas áreas nas mãos de bem poucas pessoas. Essas imensas propriedades originaram-se das primeiras grandes sesmarias concedidas no final do século XVII e inicio do século XVIII aos interessados em povoar a região. Infelizmente não se pode esquematizar com segurança quais foram as primeiras propriedades concedidas, pois os livros de escrituras de Guaratinguetá do século XVIII e os livros de sesmarias da Casa do Conde de Monsanto não mais existem.
Esses povoadores vinham de diversas localidades do Vale do Paraíba, como Taubaté, Pindamonhangaba e, também, do Planalto Paulista (cidade de São Paulo e cercanias), que procuravam melhores locais para se estabelecerem com suas famílias, já que naquele período, segundo historiadores paulistas e valeparaibanos, houve um grande deslocamento de população em busca de riqueza e consequentemente de melhor forma de vida.
A mais antiga e maior sesmaria que se tem notícia, abrangendo o atual território do município, pertenceu a uma só pessoa e englobava toda a área que ia desde Lorena até as cercanias de Pindamonhangaba. Segundo informações do Prof. Helvécio de Vasconcelos Coelho essa sesmaria foi posteriormente vendida e desmembrada em menores extensões; talvez pertencentes àqueles em que os nomes só sabemos através de pequenas citações documentais.
Outra das mais antigas propriedades encontradas nos documentos se referem a Lucas Fernandes Pinto, natural de Taubaté e inventariado em Guaratinguetá em 1753. Neste documento encontramos a seguinte referência “um sítio na paragem chamada POTEIM, que parte de um lado com João de Mello [ outro morador que não encontramos nenhuma informação ] e de outra com Maria Leme, com casas de três lanços pequenos cobertas de telhas e mais alguns ranchinhos cobertos de palha e seus arredores de espinho ”, onde o mesmo plantava pequena quantidade de cana e cultivava um pequeno mandiocal.
Outra propriedade com existência anterior a 1772 pertenceu ao Alferes Domingos Rodrigues Sanches, natural da Vila de Castelo Branco, Portugal e que possuia meia légua de testada de terras, que iam desde uma parte de Potim até o Ribeirão de Guaratinguetá. Miguel Corrêa dos Ouros, provavelmente natural de São Paulo, da família do Zouro, foi outro proprietário de terras no Potim, mas nenhuma informação sobre as mesmas foi encontrada. Em suas terras surgiu a pequena capela de São Bom Jesus de Potim, dando inicio ao pequeno povoado que se formaria em torno dela.
Outra grande propriedade rural pertenceu ao Padre José Soares Leite, no local onde hoje se encontra o Bairro dos Soares ou “Soarada” como é conhecida. No ano de seu falecimento, em 1776, o referido padre possuía uma imensa área de terras, onde cultivava milho e mantimentos para sua sobrevivência e a de seus agregados e inúmeros escravos. Em seu testamento, o Padre José Soares Leite, deixou as ditas terras às irmãs e a alguns escravos que ele deixara liberto, que por conseguinte, adotaram o seu sobrenome.
Em 1765, embora ainda não existisse um núcleo urbano formado, verifica-se, através do Recenseamento das Ordenanças de Guaratinguetá, a existência de um pequeno grupo de famílias morando na região de Potim, que provavelmente não eram proprietárias de terras, mas simples agregados que viviam do plantio de milho, feijão e arroz para a subsistência. Entre essas primeiras famílias destacavam-se as famílias de Daniel Paes Soares (de onde se originam a família e o bairro dos Daniel), os Machado de Lima, os Monteiro Paes, Soares Leite, Gonçalves de Abreu, Galvão de França ( família de Frei Galvão), Nabo Freire, Meireles Freire, Dias da Costa, Dias Morgado, Rodrigues Leme, Borges de Souza, Bueno da Silva, Coelho da Silva, Abreu Leme, entre outras, todas com descendentes até os dias de hoje.
Nos anos posteriores, em finais do século XVIII e inicio do século XIX, a expansão populacional não foi muito grande, seja com relação ao elemento branco ou negro. O território potinense continuava extenso, com população esparsa e rarefeita. Somente na segunda metade deste século, houve a formação de um núcleo urbano mais denso e concentrado, com a invasão de famílias inteiras, vindas principalmente das Minas Gerais.

Joaquim Roberto Fagundes

Imagem: Antiga Capela do Senhor Bom Jesus de Potim. Desenho Bico de Pena de Tom Maia, 1989.

Nenhum comentário:

Postar um comentário