sábado, 26 de março de 2016

Colônia do Piaguí

O bairro Colônia do Piaguí, em Guaratinguetá, é um dos mais antigos locais de povoamento no município, datando sua ocupação da primeira metade do século XVIII, por ser uma área favorável ao plantio de alimentos, cortado por dois dos principais ribeirões – Guaratinguetá e Piaguí – cujas nascentes estão localizadas no alto da Serra da Mantiqueira.
Nos documentos antigos o nome, de origem indígena, aparece em diversas variações, pois anteriormente fora habitada por índios da região. Posteriormente foi sendo ocupado por famílias oriundas de outras vilas da região do Vale do Paraíba e do Planalto de Piratininga. Vivendo do cultivo da terra, em pequenas propriedades, onde retiravam o alimento para sua subsistência, tais como: arroz, feijão, mandioca, algodão e, em algumas épocas, o fumo, produzido em pequena escala, vendido na própria terra.
No final do século XVIII e inicio do XIX (c. 1798-1840) a região foi invadida pela plantação extensiva da cana-de-açúcar, produzido em pequenos sítios, ocupando grande parte das terras. O que possibilitou o surgimento de uma grande latifúndio localizado em parte do local, denominado Conceição do Engenho, de propriedade do Capitão Mor Manuel José de Mello, português radicado na vila que, em 1822, recebeu em sua residência Dom Pedro I, pouco antes da proclamação da independência.
Em meados do mesmo período (c. 1850-1890) o café foi o cultivo predominante na região, produzido em quantidade considerável, exportado para o Rio de Janeiro.
Já no final do século, tornou-se região pioneira de imigração no município, onde o Governo do Estado criou e estabeleceu a denominada Colônia do Piaguí, por doação que fez o Capitão da Guarda Nacional de Guaratinguetá, Francisco Rangel de Barros, dividindo-as em lotes que foram distribuídos para famílias europeias, durante o período da grande imigração (1880-1920). O que o constitui como principal local de residência de famílias italianas, cujas famílias deixaram grande descendência. E uma tradição cultural riquíssima, até hoje lembrada através do cotidiano, da grande festa e feira ali realizadas.
E por todo o século XX, os descendentes consolidaram o arroz como o principal produto de cultivo, beneficiado em inúmeras fazendas e sítios do região. O que culminou com a construção de diversos canais de condução de água para irrigar; obra realizada pelo Governo do Estado de São Paulo nas décadas de 1950 e 1960, até os dias atuais utilizados. E que agora o IHGG quer que seja transformado em patrimônio da cidade.
Para tanto, em finais de 2015, os membros do IHGG, Professora Debora Pedreira, Professor Felipe Nogueira, Professor Leandro Pereira (presidente da entidade) e Joaquim Roberto Fagundes, visitaram a localidade, interessados em elaborar também um projeto educativo para a rede municipal de ensino. E que doravante será apresentado ao público e para as autoridades competentes.
 
Imagem: Visita do Instituto Histórico e Geográfico de Guaratinguetá na Colônia do Piaguí. Da esquerda para a direita: Joaquim Roberto Fagundes, Professor Felipe Nogueira e Professora Debora Pedreira.
Foto: Professor Leandro Pereira dos Santos

2 comentários:

  1. Sou Natural de Guaratinguetá,sempre ouvi meu pai falar sobre a "Colônia do Piaguí"e suas plantações de arroz..E hoje lendo esse artigo saudosamente me lembro dessas falas...Agradeço ao meu mestre e amigo Joaquim Roberto Fagundes pelo artigo.PARABÉNS!

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    1. Obrigado, minha pupila Ana Claudia. É bom recordar o passado. E acima de tudo poder entendê-lo. Você possui estas duas qualidades:sabe lembrar, compreender e bem trabalhar a nossa história. Obrigado.

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