

segunda-feira, 28 de março de 2011
Sobre Cassiano Ricardo e a Marcha para Oeste

sexta-feira, 25 de março de 2011
O IPTU do século XIX – A décima Urbana na Vila de Cunha - 1812

Primeiramente foi praticada no município da Corte, nas vilas da beira-mar e no interior do país, sendo administrada por uma Junta ou Superintendência, composta pelos principais membros da população, sendo um nobre e outro do povo, dois carpinteiros, um pedreiro e um fiscal. Atualmente, com regras mais sofisticadas e onerosas, permanece como tipo de cobrança para suprir economicamente o município, sob outra designação, conhecida como IPTU: Imposto Predial e Territorial Urbano.
Na Capitania de São Paulo passou a funcionar a partir de 1809 nas cidades de Santos, São Paulo e Cunha, no formato de cadernos anuais, como uma espécie de processo com as informações do proprietário, propriedade e valor. Sendo as únicas a terem preservado esse tipo de documentação, hoje utilizada por historiadores que trabalham com a formação das cidades no período colonial, e o uso e posse do solo (ver Raquel Glezer).
O documento traz a abertura feita pelo juiz ordinário, a relação das propriedades, elencadas por rua, contendo o nome do proprietário (com numeração, mas sem saber se da propriedade) o tipo do imóvel e sua divisão, o valor anual do rendimento, o valor a ser cobrado e o termo de encerramento. O valor cobrado representava 9% do valor do rendimento e não dez como o nome do tributo sugere.
Na vila de Cunha, por exemplo, foram coletados os dados da décima urbana da vila de Cunha referente ao ano de 1812, preservada no Museu Francisco Veloso.
Naquele ano a décima urbana traz 119 propriedades relacionadas no entorno da capela de Nossa Senhora da Conceição (seis ruas) e no rocio da vila (subúrbio), com as seguintes informações: Juiz Ordinário da vila, Capitão João José de Macedo; fiscal, Sargento-mor Luiz Manuel de Andrade, que fazia a função de advogado; nobre, Ajudante Vitoriano Manuel de Andrade (filho do fiscal); pessoa do povo, Tenente Francisco José Gonçalves; carpinteiros, Alferes Antônio Álvares de Castro, português e caixeira viajante, e João Lopes da Costa; pedreiro, Frederico José Cardoso de Abranches, português, comerciante e alugador de negros.
Ruas da Vila de Cunha em 1812
Rua Direita – 43 propriedades, dos lados direito e esquerdo;
Rua da Quitanda – 14 propriedades, dos lados direito e esquerdo;
Rua das Violas – 4 propriedades, dos lados direito e esquerdo;
Rua da Lapa – 18 propriedades, dos lados direito e esquerdo;
Rua das Flores – 3 propriedades;
Rua da Praça – 3 propriedades – lado único;
Rocio da Vila – 34 propriedades.

Na continuação, aparece ainda, entre os imóveis melhor avaliados, as propriedades do Capitão Antônio Álvares de Castro, Tenente Coronel Antônio José de Macedo Sampaio, em R$ 12000, e o Tenente José Álvares de Oliveira, Thomaz da Silva Reis, Dona Thereza Joaquina de Oliveira, Capitão Francisco Xavier Leite e Capitão José Monteiro dos Santos, em R$ 10000 réis.
Entre os proprietários na praça principal, onde estava localizada a matriz de Nossa Senhora da Conceição, aparecem o Alferes Antônio Álvares de Oliveira, Dona Ana Maria Thereza e o Padre João Pereira da Costa.
As propriedades menores e de menor valor encontravam-se no rocio da vila, avaliadas entre 640 e 6000 réis, sendo está última, de propriedade do Alferes Manuel Rodrigues Correia.
Referências: VELOSO, Museu Francisco Veloso. Décima Urbana da Vila de Cunha, 1812.
terça-feira, 22 de março de 2011
Curso de Capacitação para Museus
Na última semana aconteceu, em Brodowski-SP, o I Módulo do Curso de Capacitação para Museus, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, por seu Sistema Estadual de Museus-SISEM, com o apoio da Associação Cultural de Amigos do Museu Casa de Portinari-ACAM.
Trata-se de uma iniciativa singular e propícia para os profissionais que trabalham em instituições museológicas no sentido de aperfeiçoar, complementar e, principalmente, atualizar o conhecimento na área; especificamente nas questões que envolvem o mecanismo das leis de incentivo cultural, formatação de projetos da mesma natureza. A finalidade é sintonizar-se com a atual conjuntura econômica do país, onde o conceito e a prática da economia criativa é parte fundamental na gestão de novas iniciativas, com o objetivo de ampliar a participação e a diversidade cultural da população brasileira.
E, por essas, e outras, em consonância com as necessidades atuais, que o SISEM tem procurado parcerias com instituições políticas e culturais para a realização desse curso, que contou com a participação de profissionais de inúmeras cidades do Estado de São Paulo, como Sorocaba, Guaratinguetá, Tupã, Brodowski, Ilha Solteira, Santa Cruz do Rio Pardo, Ribeirão Preto, Olímpia, Franca, Batatais, Pompéia, Casa Branca, José Bonifácio, entre outras.
Para o atual curso foram selecionados quarenta convidados para participar dos três módulos que compõe todo o curso; sendo o primeiro realizado na Câmara Municipal de Brodowski e na cidade de Sorocaba, e os próximos nas referidas localidades nos meses de abril e maio, a saber: Formatação de Projetos e Leis de Incentivo, Curadoria e Expografia, Produção e Montagem de Exposições.
Uma proposta que no primeiro módulo trouxe para o primeiro módulo os profissionais Roseli Biage e Leonardo Castro, que realizaram palestra e atividades sobre a montagem e formatação de projeto cultural de incentivo fiscal; Fábio Cesnik, advogado especializado em direitos autorais e Lei Rouanet, da firma Cesnik, Quintana&Salinas (representantes de artistas como Daniela Mercury e Chico Buarque de Holanda, e a Escola Primeira de Mangueira, entre outros); Ana Carla Fonseca Reis, especialista que trabalha em projetos de Economia Criativa e Economia da Cultura em diversas instituições pelo país.
Como para melhor certificar os participantes, foram montados grupos para a elaboração de projetos culturais concretos para avaliação por intermédio de tutorias via web e blog.
Trata-se de uma iniciativa singular e propícia para os profissionais que trabalham em instituições museológicas no sentido de aperfeiçoar, complementar e, principalmente, atualizar o conhecimento na área; especificamente nas questões que envolvem o mecanismo das leis de incentivo cultural, formatação de projetos da mesma natureza. A finalidade é sintonizar-se com a atual conjuntura econômica do país, onde o conceito e a prática da economia criativa é parte fundamental na gestão de novas iniciativas, com o objetivo de ampliar a participação e a diversidade cultural da população brasileira.
E, por essas, e outras, em consonância com as necessidades atuais, que o SISEM tem procurado parcerias com instituições políticas e culturais para a realização desse curso, que contou com a participação de profissionais de inúmeras cidades do Estado de São Paulo, como Sorocaba, Guaratinguetá, Tupã, Brodowski, Ilha Solteira, Santa Cruz do Rio Pardo, Ribeirão Preto, Olímpia, Franca, Batatais, Pompéia, Casa Branca, José Bonifácio, entre outras.
Para o atual curso foram selecionados quarenta convidados para participar dos três módulos que compõe todo o curso; sendo o primeiro realizado na Câmara Municipal de Brodowski e na cidade de Sorocaba, e os próximos nas referidas localidades nos meses de abril e maio, a saber: Formatação de Projetos e Leis de Incentivo, Curadoria e Expografia, Produção e Montagem de Exposições.
Uma proposta que no primeiro módulo trouxe para o primeiro módulo os profissionais Roseli Biage e Leonardo Castro, que realizaram palestra e atividades sobre a montagem e formatação de projeto cultural de incentivo fiscal; Fábio Cesnik, advogado especializado em direitos autorais e Lei Rouanet, da firma Cesnik, Quintana&Salinas (representantes de artistas como Daniela Mercury e Chico Buarque de Holanda, e a Escola Primeira de Mangueira, entre outros); Ana Carla Fonseca Reis, especialista que trabalha em projetos de Economia Criativa e Economia da Cultura em diversas instituições pelo país.
Como para melhor certificar os participantes, foram montados grupos para a elaboração de projetos culturais concretos para avaliação por intermédio de tutorias via web e blog.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Velhas Fazendas do Vale do Paraíba

Desse modo, o relançamento da obra de Sérgio Buarque de Holanda “Velhas Fazendas do Vale do Paraíba” é uma contribuição impar, principalmente para o uso didático; além do que acessível ao bolso da maioria (R$ 25,00).
Com desenhos de Tom Maia, amigo e estudioso do patrimônio valeparaibano, e apresentação dos historiadores Jean Marcel Carvalho França e Antônio Celso Ferreira, a obra é para os leigos uma iniciação ao mundo imperial, onde a influência européia, principalmente francesa, moldou a maneira de vestir, comer, morar e de comportar do brasileiro até a primeira metade do século XX.
Vale a pena conferir para despertar para outros temas da nossa história.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Livro de Renato Leite Marcondes

Neste livro, contribui com ampla evidência empírica sobre esse ponto, resultado de um trabalho de pesquisa da maior importância. Investigando, em todo o País, Listas derivadas da matrícula e classificação dos escravos, determinadas pela Lei do Ventre Livre, de 1871, reuniu dados para uma extraordinária amostra da população escrava naquele período: 112,7 mil cativos, correspondentes a 25,6 mil proprietários; 7,3 % do número total de escravos então existente. A amostra abrange catorze das vintes províncias, destacando-se a cobertura para São Paulo, onde os dados colhidos referem-se a 30 % do total da população escrava. O quadro em emerge desses dados confirma as pesquisas referidas acima. Acima de 70 % dos possuidores de escravos , em todas as províncias, tinham não mais do que quatro cativos.
Fonte:http://www.submarino.com.br/produto/1/21825764/www.submarino.com.br/produto/1/21825764
quinta-feira, 3 de março de 2011
Polêmica na Casa de Rui Barbosa
O Brasil está como sempre com seu revestimento de permanência e disfarce de ruptura. O que faz pensar no caráter pragmático dos acontecimentos “originais” sem nenhum resultado profundo.
Sob o manto de ideologias questionáveis e anacrônicas, o país vem escamoteando e relegando problemas sérios nas áreas da educação e da cultura, preocupando-se com projetos aparentes, destituídos de substância e continuidade, fruto de uma estilizada reedição do populismo da primeira metade do século XX, onde a tutela do Estado concretiza ações pelas quais as soluções não atingem a democracia na sua principal acepção: o governo de um povo que forma a sua consciência na possibilidade de oportunidades igualitárias ao nível de acesso a todos os instrumentais do conhecimento humano; não apenas pelo repertório político arcaico, onde as discussões são inócuas e inteligíveis.
Nesse sentido, coadunamos com as vozes discordantes a respeito da polêmica envolvendo o futuro dos trabalhos e dos projetos culturais da Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro e que culminou, felizmente com a queda daquele que não chegou assumir.
A posição do ex-futuro diretor daquela casa, o sociólogo Emir Sader, é o espelho das afirmações acima expostas e mostra de maneira contundente o quanto a política pela política, sem comprometimento e conhecimento, pode arrasar continuidades quando demonstrada no âmago das instituições colocadas sob o crivo de homens despreparados que procuram tão somente servir de instrumento para demagogias governamentais de interesses múltiplos, fundamentalmente eleitorais a serviço de grupos políticos que visam o poder.
Transformar uma instituição com caráter definido e postura de ação substancial, pautada em longo prazo, é colocar em descrédito o trabalho de um número infinito de profissionais das múltiplas áreas do conhecimento lá alocados. É desconsiderar a seriedade dos trabalhos, sobretudo os qualificantes deles gerados. O que demonstra uma total falta de conhecimento do trabalho da instituição, ou algo de dissimulação para fazer dela um trampolim para apadrinhados relegados ao segundo plano, como prêmio de consolação.
Além de tudo, demonstra a total incompetência para reconhecer o valor da pesquisa cientifica nas sociedades modernas, principalmente nos diversos ramos das ciências humanas, cujo estopo é a formação social e cultural do individuo.
Abrir a casa para discussões e debates pertinentes sobre temas fundamentais para a viabilização de um país melhor é obvio e importante, mas desde que instituídos como elementos participes de um conjunto amplo de variáveis, onde conceitos ideológicos e partidários se mostrem de maneira plural e não apenas como conceito de perpetuação do poder. Não há porque personalizar a instituição, pois antes de tudo possui uma identidade e uma herança histórica que tem contribuindo para entender o espectro social, político e econômico da nação, como poucas instituições têm realizado.
A política de arranjo, descrição e divulgação dos acervos museológico e arquivistico, que conheço em parte, tem contribuído para o desenvolvimento de trabalhos que contam com a com a participação popular.
E, mesmo que a vida intelectual tenha se especializado, como disse o sociólogo, existe nela um sentido de objetivos e olhares multidisciplinares, permeados nos diversos profissionais que ali estudam e pesquisam e, portanto, não incompatível com a inserção de outros paradigmas de trabalho.
Grandes temas nacionais entram como peça complementar do quadro de atividades, mas nunca como um substitutivo. Ademais, o encetamento de temas gerais corre o risco de cair no vazio e mais uma vez encobrir velhas feridas, tratando-as com um público que infelizmente não possui instrumentalização suficiente para enxergar a estrutura e a envergadura de certos temas. Somos ainda um país de formação educacional falha e inconsistente.
A Casa de Rui já é um espaço público por excelência, o que, aliás, inexiste no popularismo lulista, do tipo comunista sem causa. Um espaço de memórias diversificadas e multidisciplinar.
Esperamos que, com a queda, ou possível demissão de Emir Sader, não venha repetir a escolha de pessoas sem conhecimento. Agora é esperar as políticas do Ministério da Cultura (leia-se de Ana de Hollanda), sem as desculpas de incompatibilidades com possíveis políticas.
Está registrado o nosso protesto e a solidariedade aos que, por anos a fio, construíram e constroem o edifício iniciado por Rui Barbosa.
Sob o manto de ideologias questionáveis e anacrônicas, o país vem escamoteando e relegando problemas sérios nas áreas da educação e da cultura, preocupando-se com projetos aparentes, destituídos de substância e continuidade, fruto de uma estilizada reedição do populismo da primeira metade do século XX, onde a tutela do Estado concretiza ações pelas quais as soluções não atingem a democracia na sua principal acepção: o governo de um povo que forma a sua consciência na possibilidade de oportunidades igualitárias ao nível de acesso a todos os instrumentais do conhecimento humano; não apenas pelo repertório político arcaico, onde as discussões são inócuas e inteligíveis.
Nesse sentido, coadunamos com as vozes discordantes a respeito da polêmica envolvendo o futuro dos trabalhos e dos projetos culturais da Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro e que culminou, felizmente com a queda daquele que não chegou assumir.
A posição do ex-futuro diretor daquela casa, o sociólogo Emir Sader, é o espelho das afirmações acima expostas e mostra de maneira contundente o quanto a política pela política, sem comprometimento e conhecimento, pode arrasar continuidades quando demonstrada no âmago das instituições colocadas sob o crivo de homens despreparados que procuram tão somente servir de instrumento para demagogias governamentais de interesses múltiplos, fundamentalmente eleitorais a serviço de grupos políticos que visam o poder.
Transformar uma instituição com caráter definido e postura de ação substancial, pautada em longo prazo, é colocar em descrédito o trabalho de um número infinito de profissionais das múltiplas áreas do conhecimento lá alocados. É desconsiderar a seriedade dos trabalhos, sobretudo os qualificantes deles gerados. O que demonstra uma total falta de conhecimento do trabalho da instituição, ou algo de dissimulação para fazer dela um trampolim para apadrinhados relegados ao segundo plano, como prêmio de consolação.
Além de tudo, demonstra a total incompetência para reconhecer o valor da pesquisa cientifica nas sociedades modernas, principalmente nos diversos ramos das ciências humanas, cujo estopo é a formação social e cultural do individuo.
Abrir a casa para discussões e debates pertinentes sobre temas fundamentais para a viabilização de um país melhor é obvio e importante, mas desde que instituídos como elementos participes de um conjunto amplo de variáveis, onde conceitos ideológicos e partidários se mostrem de maneira plural e não apenas como conceito de perpetuação do poder. Não há porque personalizar a instituição, pois antes de tudo possui uma identidade e uma herança histórica que tem contribuindo para entender o espectro social, político e econômico da nação, como poucas instituições têm realizado.
A política de arranjo, descrição e divulgação dos acervos museológico e arquivistico, que conheço em parte, tem contribuído para o desenvolvimento de trabalhos que contam com a com a participação popular.
E, mesmo que a vida intelectual tenha se especializado, como disse o sociólogo, existe nela um sentido de objetivos e olhares multidisciplinares, permeados nos diversos profissionais que ali estudam e pesquisam e, portanto, não incompatível com a inserção de outros paradigmas de trabalho.
Grandes temas nacionais entram como peça complementar do quadro de atividades, mas nunca como um substitutivo. Ademais, o encetamento de temas gerais corre o risco de cair no vazio e mais uma vez encobrir velhas feridas, tratando-as com um público que infelizmente não possui instrumentalização suficiente para enxergar a estrutura e a envergadura de certos temas. Somos ainda um país de formação educacional falha e inconsistente.
A Casa de Rui já é um espaço público por excelência, o que, aliás, inexiste no popularismo lulista, do tipo comunista sem causa. Um espaço de memórias diversificadas e multidisciplinar.
Esperamos que, com a queda, ou possível demissão de Emir Sader, não venha repetir a escolha de pessoas sem conhecimento. Agora é esperar as políticas do Ministério da Cultura (leia-se de Ana de Hollanda), sem as desculpas de incompatibilidades com possíveis políticas.
Está registrado o nosso protesto e a solidariedade aos que, por anos a fio, construíram e constroem o edifício iniciado por Rui Barbosa.
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